eu sei. já estive onde agora estás. voltarás quando perderes o teu norte... lembrar-te-ás de mim quando a vida te mostrar que o amor um dia foi tudo o que abraçamos com a força de um só nó.
voa agora meu amor, que o vento está de feição.
atébreve
Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010
...Abrigo no peito, como a um inimigo que temo ofender, um coração exageradamente espontâneo que sente tudo o que eu sonho como se fosse real, que bate com o pé a melodia das canções que o meu pensamento canta.
Canções tristes, como as ruas estreitas quando chove.
"o rio compraz-se em transportar-nos nas suas águas, se tivermos coragem de nos libertarmos. a nossa verdadeira missão é esta viagem, esta aventura."
Muitas luas passaram, muitas estações, muitos vislumbres, muitas provações… É inverno, e nada fazia prever que o frio e a chuva sem parar, trouxesse amor a esta casa. Desarrumada, sem horizonte para a vista alcançar. Ele veio sem avisar, pela mão das forças do universo que são as mais puras, sem perguntas e respostas. Foi então, que o meu coração quis que abrisse o meu colo para aconchegar o teu corpo. E o teu peito abriu-se para escutar a língua do meu mundo. Complicado, emaranhado, com muitos nós que o passado tendia a apertar cada vez com mais força. Ouviste. Falaste. Escutei. Desapertaste os mesmos nós como se fossem laços delicados. Na tua boca, as coisas da vida são afinal produto de uma equação simples. Todos podemos ser felizes. Sem rodeios, sem receios, com as cartas todas na mesa, para o jogo ser limpo. Cresço contigo, com os teus ensinamentos… com a tua paz. E não há maior amor que este. Dás-me vontade de viver.
"Andersen Molière" vencem a 2ª edição do Rock Rendez Vous 2009 na categoria Jazz, Blues & Outros.
..."Também o prémio Talento RRW foi atribuído ao mesmo grupo, que, desta forma, irá editar o seu primeiro álbum. Os oito elementos que compõem os Andersen Molière entram agora numa nova fase do seu percurso musical, podendo, com a chancela do Rock Rendez Worten, ganhar notoriedade junto do rande público, cimentando a sua carreira."
dança-se, canta-se em voz alta, mergulha-se no caos e sentido das palavras... é o tudo ou nada...é uma dança suspensa, um passo em falso, uma janela para ti e para o outro, uma sombra que nos assalta os segredos, a ilusão da vida, da morte, o amor, a desgraça, a sorte que ameaça... um cenário onde tudo acontece. a construção de um sonho numa infinita combinação de sete notas musicais, oito mundos que se abrem para o universo de cada um de nós.
e o meu desejo é que assim se cumpra o vosso sonho*
tinha dentro de si um outro eu. austero, viril. quando deixava a barba instalar-se como trepadeiras no rosto, ficava atenta para ouvi-lo. apontava-ma à cara a mão pequena com os cinco dedos esticados e, cada um deles, enumerava as desgraças que eu havia inflingido a alguns. convinha-lhe ser o bom da fita... gabava-se, dizendo existir na sua conduta, unicamente honestidade e verdade, mas a verdade é que nela havia espaço para roubar sorrisos às donzelas do amigo e prometer apalpadelas no rabo das mesmas, às escondidas. mas quem és tu, dom juan de meia tigela, que te pavoneias com tais virtudes e por trás enrabas o exmo amigo coitado? esforçou-se na vida para entender tão bem as mulheres, que acabaria por desarmá-las através das poucas palavras que lhes dedicava. era o seu divertimento... a única forma de esquecer-se do facto de não conhecer-se a si mesmo. decidiu ficar com aquela de quem menos gostava, mas a que mais o amava. aquela cujo final de luta era o mais previsível. prenúncio de cobardia que nele assentava tão bem... no meio de toda a história, quem tem razão é o louco, que decifra essa "verdade" como a maior mentira de todas... com uma pinta, que todos incomoda. e eu sei. soube quando feito lobo quiseste papar a menina a quem apontavas o dedo. mas a menina, encheu-te a barriga de sapos e nem um beijo na boca te transformaria em príncipe encantado.
quando a vida é um momento em que se grita e canta alto. quando as palavras que se ouvem são exactamente aquelas que se querem ouvir... ou não. uma partilha de sorrisos, dores, enganos, paixões, reencontros. a nossa voz a ressoar no coração de quem se gosta. a lua como espelho de aventuras e de amores não correspondidos ou mal entendidos... um carro sem gasolina e destino. à vezes lembro-me e sorrio. as horas da madrugada a passar rápido demais... a música a incitar o bater forte do coração. o jogo. a vida. a morte. a tristeza. a sorte. a aceitação. o amor puro. aquele que se dá sem condições, trocas ou exigências. uma flor, um abraço, as mãos, um traço... a desenhar e escrever a forma do mundo nos olhos teus. o fim da noite e o dia a nascer. Um beijo perdido sem saber onde morrer.
Sabia ler-te os gestos. Sabia que ao esconderes as duas mãos nos bolsos, um abraço meu te desarmaria e assim, para sempre seria tua. Imaginei...
Tinhas o poder das palavras e da razão que nelas impunhas. uma convicção sempre distante dos meus olhos e muito próxima daquele chão. esse mesmo chão que ambos pisámos e enchemos de fugas e disfarces... de danças amenas e apaixonadas onde se prometiam sonhos e se proibiam beijos.
Houve vezes em que te sonhei. a ti, comigo. As tuas sugestões, a tua frieza, distância. amargo, cruel. As tuas insinuações... doce, sensível. mistura explosiva para alguém tão vulnerável quanto eu. "Livre... Demasiado livre". insistias.
Quanto de ti viste em mim?
Tanto de ti que não sabes...
sei o quanto me despiste. sei que tremi. sei o quanto quis que me desculpasses por ser assim como disseste que eu era.
e mesmo assim, continuo a não saber quem sou. Quanto de mim em ti?
Wanderers this morning came by Where did they go Graceful in the morning light To banner fair To follow you softly In the cold mountain air
Through the forest Down to your grave Where the birds wait And the tall grasses wave They do not know you anymore
Dear shadow alive and well How can the body die You tell me everything Anything true
In the town one morning I went Staggering through premonitions of my death I don't see anybody that dear to me
Dear shadow alive and well How can the body die You tell me everything Anything true
Jesse I don't know what I have done I'm turning myself to a demon I don't know what I have done I'm turning myself to a demon
DROPS IN THE RIVER
Crown of leaves, high in the window on a gold morning Young today, old as a railroad tomorrow Days are just drops in the river to be lost always Only you
Years ago, birds of a feather would arrive nightly Gone you know, held to another like clutched ivy On the shore, speak to the ocean and receive silence Only you
Here as the caves of my memory fade, I'll hold to the first one I wouldn't turn to another you say, on the long night we've made Let it go
Speak to me slow my dear, no ghost of course in here, pleased to be lonesome quiet and clear, all is alone in here
tanto desamor te tenho, tão fora do meu coração ficaste, que em verdade nada te tenho.nunca foste meu e já não sou tua, já não me tens. pouco sei por que te dou conta deste resultado, que me importará a notícia de mim que recebas? faço-o talvez por fidalguia ou superioridade de ser, que vontade minha nem é que sofras ao sabê-lo, ou que sintas alegria, mas tão só anunciar-te, como ao mundo, que nada mais se espera de ti no meu peito amadurecido agora. agora, posta entre as minhas amigas em sossego, só te lembro como matéria que em mim se deixou apodrecer. saberás tão bem como florescem rosas sobre matérias mortas, e as minhas matérias mortas meu antigo e tolo amante, alimentaram uma sabedoria que me eleva. estou onde nem tu imaginas que se possa chegar. quanto nos rendemos aos prazeres sem interesse, fico entretanto a pensar. por que doce e fútil alegria corri iludida com os teus sermões, suja de alma a vender-me corpo e cabeça enganada. sei que estarás ainda hoje nos braços de quantas te satisfaçam o mesmo capricho, usando a mesma crueldade para com elas, convicto talvez que lhes pagas com a aventura o preço da revelação que virá mais tarde. enganas-te. pousado o corpo, lavado o espírito, nem a volúpia nem o prazer, nada se impõe e a vida recompõe-se e até a vontade de recato e dignidade se reforça, tens de o saber. nada, nada mesmo do que pudeste destruir-me se deixou destruído. não existes, meu antigo e tolo amante, agora já não existes. esqueci tanto amor e tanto sofrimento. nem sei por que me terás levado à loucura, tão lúcida que me encontro, nem por que ganhei afeição ao sofrimento, que era o único amor que me deixaste, apartado de mim eternamente nesta vida e na vida em frente. sofrimento nenhum se justifica por quem não o merece, aprendi-o bem. e se meus votos sentidos perante deus me obrigam a um amor universal, passarei meu coração por cima do teu nome como se de mais um pássaro, um seixo ou um curso de água mais vivo fosses. rezarei por ti entre estas coisas mais naturais, deixarei para os homens um coração maior, importada com eles acima do cão que temos no convento, do carvalho que nos dá sombra no verão e nos uiva no inverno, ou da água que nos mata a sede, e que deus me perdoe.
valter hugo mãe
Sábado, 18 de Julho de 2009
Sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
...sentias uma feroz necessidade de sentir medo, e pela casa atravessada de ecos, de lumes, respiravas.Respiravas o ar insalubre do próximo porto.
Permanecemos aqui, neste quarto, onde a escuridão é eterna claridade. Fora deste quarto nunca viste o mar. Mas tudo isto se passou noutro tempo, noutro lugar. E a tua boca deixava na minha um travo de asas salgadas... Breves nuvens. O entardecer sobre o corpo estendido na erva fresca do sonho. Abrias nas pedras fulvas da praia um sítio para esconder a paixão. Cansei-me de te sonhar. Cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis. Donde te escrevo apenas uma parte de mim ainda não partiu. Encosto a alma à quilha do navio. Deixo-me ir no vaivém das marés, e da fala.
Nenhum de nós sabia se o sonho, ou a morte, nos conduziria a algum porto de felicidade.
Quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?
Caminhamos em direcções opostas. caminhamos sem destino pela cidade. A febre aniquila-nos. Existem Índias por descobrir, no segredo da noite dos nossos desastres. Caminhamos neste espaço de penumbras e de incertezas - onde a fala já não cintila e as palavras são de cinza. ... Um barco tremeluz nas cortinas do quarto. O horizonte é negro. A luz do dia extinguiu-se subitamente. As mãos com que te toco, luminoso afogado, não são verdadeiras nem reais - porque o tempo todo talvez esteja onde existimos. Embora saibamos que nesse lugar nunca houve tempo nenhum.
Al Berto
Domingo, 21 de Junho de 2009
These things you keep You'd better throw them away You wanna turn your back On your soulless days Once you were tethered And now you are free Once you were tethered Well now you are free That was the river This is the sea!
Now you say you've got trouble You say you've got pain You say you´ve got nothing left to believe in Nothing to hold on to Nothing to trust Nothing but chains You're scouring your conscience Raking through your memories Scouring your conscience Raking through your memories But that was the river This is the sea
Now I can see you wavering As you try to decide You've got a war in your head And it's tearing you up inside You're trying to make sense Of something that you just can't see Trying to make sense now And you know you once held the key But that was the river And this is the sea!
Now I hear there's a train It's coming on down the line It's yours if you hurry You've got still enough time And you don't need no ticket And you don't pay no fee No you don't need no ticket You don't pay no fee Because that was the river And this is the sea!
drink up, baby, stay up all night the things you could do, you won't but you might the potential you'll be, that you'll never see the promises you'll only make
drink up with me now and forget all about the pressure of days do what I say and I'll make you okay and drive them away the images stuck in your head
people you've been before that you don't want around anymore that push and shove and won't bend to your will I'll keep them still
drink up, baby, look at the stars I'll kiss you again between the bars where I'm seeing you there with your hands in the air, waiting to finally be caught
drink up one more time and I'll make you mine keep you apart deep in my heart separate from the rest where I like you the best and keep the things you forgot
the people you've been before that you don't want around anymore that push and shove and won't bend to your will I'll keep them still
na meia luz dos teus olhos, um sorriso que nos agarra de frente e destrói os vicios da ilusão. as tuas convicções, os teus sonhos de raizes profundas a encostarem-se subtilmente aos meus. um convite de sabores etéreos. um código amoroso que só a intuição sabe decifrar.
Terça-feira, 21 de Abril de 2009
I was caught in a storm Things were flying around And doors were slamming And windows were breaking And I couldn't hear what you were saying I couldn't hear what you were saying I couldn't hear what you were saying
fala-me do som da chuva nos charcos das folhas das árvores quando o vento norte sopra do frio que se esconde nas mantas de inverno das borboletas que dançam na primavera e de bailarinas que vêem o mundo inteiro em bicos de pés
às vezes um sino que toca. prenúncio de vida à nossa volta.um mundo que abre portas ao espaço que sonhamos. o vento a irromper nos nossos corpos e o medo a acautelar os gestos imprecisos. a procura de sinais que subtilmente pedem consolo. a procura da verdade, nas horas em que de olhos fechados, eu te vejo e tu me vês. enquanto a noite segue o seu rumo...
de dia, escavava certezas num chão profundo e esbarrava-se contra sonhos à superfície.
ilusões que semeava sempre que o sentia.
viveu uma vida inteira com ele sem nunca o ter visto.
Terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
"não lhe pedi que viesse. pedi-lhe só que às dez da noite e pela última vez, a sua lembrança me esperasse ao caminho. Cheguei cedo e sentei-me. Quando soasse a hora, eu queria senti-la ao pé de mim, não bem no seu corpo, não bem nas suas palavras, mas apenas naquele sossego harmonioso que tornava o mundo perfeito...
apareceu tão leve como a sua lembrança.
... caminhei pela vereda branca, lavado numa pureza desconhecida, anterior à minha humanidade, e onde, no entanto, eu me sentia todo inteiro. Quando cheguei ao topo da colina, olhei ainda atrás a ausência dela. Mas lentamente, surpreso e todavia calmo, fui descobrindo-a em pessoa, em pé, no meio do caminho, vestida de lua, esperando decerto como eu que toda a serra e toda a aldeia e tudo o que nos fora prometido ficasse enfim tão diferente como quando ainda não tinhamos nascido."
eras livre. as únicas cordas que te amarravam a alma eram as da guitarra.
tinhas a alma livre.
o teu corpo passeava-se nas ruas, solto e fresco como o vento que agita suavemente as ondas do mar. sorrias para a vida e ela retribuia-te com dias amenos.
conheci a tua casa. uma rede entre dois troncos.
as árvores meio despidas de folhas e pequenas flores a colorir a copa. o teu tecto.
a rede, não tinha fundo. entrar nela, era o mesmo que entrar no infinito azul do céu.
sei que me levavas pela mão,
e a pele do teu corpo, o único caminho que decorei.
o meu impulso desmedido foi ver-te. nem que o universo me dê apenas um segundo do teu vislumbre... e ver-te é ter-te na iris do meu coração. fica intensamente vivo com batidas descompassadas a desejar que o consoles na concha das tuas mãos. sofro demais com essa ausência . desta vez doeu demais.
"Hoje eu vou fingir que não vou ficar, despeço-me do que mais quero... Hoje eu vou fugir para não me dar a vontade de ser tua. Só para não me ouvir dizer que as coisas vão mudar amanhã"
quando o tempo é nosso, nada me leva para longe de ti... amar-te é muito mais do que tudo
...sei também que carrego um doce fado no sangue, herança de outras vozes e outros amores. o meu avô sempre disse para se ter cuidado a partir a melancia... não se pode partir-lhe o "coração". tem que ficar inteiro. é a parte mais docinha... e no fim olhava para nós com um leve sorriso que lhe subia o bigode... (era frase para esconder um segredo qualquer.shiuu). nunca em nenhuma outra boca ouvi falar desta verdade, assim. a parte engraçada era a de ver, no nosso pueril desejo, o meu avô falhar no corte e ver o coração despedaçar-se. mas não! engane-se quem duvida da perícia de um avô vivido. o meu é um verdadeiro escultor de melancias. O coração... esse, ficava ali intacto à espera, absorvendo a doçura da nossa inocência... bem sabia... fiquei sempre com a intuição a latejar em tom duvidoso, quando dizia que a cereja era a minha fruta preferida.
quando for grande, na hora H, que seja por alguém tão sábio quanto o meu avô, e que no fim ainda remata com um : é doce como mel...