quarta-feira, 4 de novembro de 2009
esboço

quando deixava a barba instalar-se como trepadeiras no rosto, ficava atenta para ouvi-lo. apontava-ma à cara a mão pequena com os cinco dedos esticados e, cada um deles, enumerava as desgraças que eu havia inflingido a alguns. convinha-lhe ser o bom da fita...
gabava-se, dizendo existir na sua conduta, unicamente honestidade e verdade, mas a verdade é que nela havia espaço para roubar sorrisos às donzelas do amigo e prometer apalpadelas no rabo das mesmas, às escondidas.
mas quem és tu, dom juan de meia tigela, que te pavoneias com tais virtudes e por trás enrabas o exmo amigo coitado?
esforçou-se na vida para entender tão bem as mulheres, que acabaria por desarmá-las através das poucas palavras que lhes dedicava. era o seu divertimento... a única forma de esquecer-se do facto de não conhecer-se a si mesmo.
decidiu ficar com aquela de quem menos gostava, mas a que mais o amava. aquela cujo final de luta era o mais previsível. prenúncio de cobardia que nele assentava tão bem...
no meio de toda a história, quem tem razão é o louco, que decifra essa "verdade" como a maior mentira de todas... com uma pinta, que todos incomoda. e eu sei. soube quando feito lobo quiseste papar a menina a quem apontavas o dedo. mas a menina, encheu-te a barriga de sapos e nem um beijo na boca te transformaria em príncipe encantado.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
"entre nós"
uma partilha de sorrisos, dores, enganos, paixões, reencontros. a nossa voz a ressoar no coração de quem se gosta. a lua como espelho de aventuras e de amores não correspondidos ou mal entendidos...
um carro sem gasolina e destino. à vezes lembro-me e sorrio.
as horas da madrugada a passar rápido demais... a música a incitar o bater forte do coração. o jogo. a vida. a morte. a tristeza. a sorte. a aceitação.
o amor puro. aquele que se dá sem condições, trocas ou exigências.
uma flor, um abraço, as mãos, um traço... a desenhar e escrever a forma do mundo nos olhos teus.
o fim da noite e o dia a nascer. Um beijo perdido sem saber onde morrer.
às vezes lembro-me e sorrio.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
quando um beijo é tudo.
e mesmo assim, continuo a não saber quem sou.
Quanto de mim em ti?
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
a tua sombra na voz do sueste
If i told you
Since November, it´s been raining...
terça-feira, 28 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
última
tanto desamor te tenho, tão fora do meu coração ficaste, que em verdade nada te tenho.nunca foste meu e já não sou tua, já não me tens.
pouco sei por que te dou conta deste resultado, que me importará a notícia de mim que recebas? faço-o talvez por fidalguia ou superioridade de ser, que vontade minha nem é que sofras ao sabê-lo, ou que sintas alegria, mas tão só anunciar-te, como ao mundo, que nada mais se espera de ti no meu peito amadurecido agora. agora, posta entre as minhas amigas em sossego, só te lembro como matéria que em mim se deixou apodrecer. saberás tão bem como florescem rosas sobre matérias mortas, e as minhas matérias mortas meu antigo e tolo amante, alimentaram uma sabedoria que me eleva. estou onde nem tu imaginas que se possa chegar.
quanto nos rendemos aos prazeres sem interesse, fico entretanto a pensar.
por que doce e fútil alegria corri iludida com os teus sermões, suja de alma a vender-me corpo e cabeça enganada.
sei que estarás ainda hoje nos braços de quantas te satisfaçam o mesmo capricho, usando a mesma crueldade para com elas, convicto talvez que lhes pagas com a aventura o preço da revelação que virá mais tarde. enganas-te.
pousado o corpo, lavado o espírito, nem a volúpia nem o prazer, nada se impõe e a vida recompõe-se e até a vontade de recato e dignidade se reforça, tens de o saber.
nada, nada mesmo do que pudeste destruir-me se deixou destruído. não existes, meu antigo e tolo amante, agora já não existes.
esqueci tanto amor e tanto sofrimento. nem sei por que me terás levado à loucura, tão lúcida que me encontro, nem por que ganhei afeição ao sofrimento, que era o único amor que me deixaste, apartado de mim eternamente nesta vida e na vida em frente.
sofrimento nenhum se justifica por quem não o merece, aprendi-o bem.
e se meus votos sentidos perante deus me obrigam a um amor universal, passarei meu coração por cima do teu nome como se de mais um pássaro, um seixo ou um curso de água mais vivo fosses. rezarei por ti entre estas coisas mais naturais, deixarei para os homens um coração maior, importada com eles acima do cão que temos no convento, do carvalho que nos dá sombra no verão e nos uiva no inverno, ou da água que nos mata a sede, e que deus me perdoe.
valter hugo mãe
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Permanecemos aqui, neste quarto, onde a escuridão é eterna claridade.
Fora deste quarto nunca viste o mar.
Mas tudo isto se passou noutro tempo, noutro lugar. E a tua boca deixava na minha um travo de asas salgadas...
Breves nuvens. O entardecer sobre o corpo estendido na erva fresca do sonho. Abrias nas pedras fulvas da praia um sítio para esconder a paixão.
Cansei-me de te sonhar. Cansei-me do sangue e da chuva, da memória dessas rotas difíceis.
Donde te escrevo apenas uma parte de mim ainda não partiu.
Encosto a alma à quilha do navio. Deixo-me ir no vaivém das marés, e da fala.
Nenhum de nós sabia se o sonho, ou a morte, nos conduziria a algum porto de felicidade.
Quando te digo que vou de novo partir, perguntas-me: morre-se porquê?
Caminhamos em direcções opostas. caminhamos sem destino pela cidade.
A febre aniquila-nos.
Existem Índias por descobrir, no segredo da noite dos nossos desastres.
Caminhamos neste espaço de penumbras e de incertezas - onde a fala já não cintila e as palavras são de cinza.
...
Um barco tremeluz nas cortinas do quarto.
O horizonte é negro. A luz do dia extinguiu-se subitamente.
As mãos com que te toco, luminoso afogado, não são verdadeiras nem reais - porque o tempo todo talvez esteja onde existimos. Embora saibamos que nesse lugar nunca houve tempo nenhum.
Al Berto
quarta-feira, 17 de junho de 2009
when heart asks pleasure first
e um olhar perdido é tão difícil de encontar
como o é congregar ventos dispersos pelo mar
sábado, 23 de maio de 2009
vértice II
drink up, baby, stay up all night
the things you could do, you won't but you might
the potential you'll be, that you'll never see
the promises you'll only make
drink up with me now and forget all about the pressure of days
do what I say and I'll make you okay and drive them away
the images stuck in your head
people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still
drink up, baby, look at the stars
I'll kiss you again between the bars where I'm seeing you
there with your hands in the air, waiting to finally be caught
drink up one more time and I'll make you mine
keep you apart deep in my heart separate from the rest
where I like you the best and keep the things you forgot
the people you've been before that you don't want around anymore
that push and shove and won't bend to your will
I'll keep them still
terça-feira, 28 de abril de 2009
sentir
um código amoroso que só a intuição sabe decifrar.
segunda-feira, 6 de abril de 2009
VÉRTICE I
sábado, 28 de março de 2009
latência
às vezes um sino que toca. prenúncio de vida à nossa volta.um mundo que abre portas ao espaço que sonhamos.
o vento a irromper nos nossos corpos e o medo a acautelar os gestos imprecisos.
a procura de sinais que subtilmente pedem consolo.
a procura da verdade, nas horas em que de olhos fechados, eu te vejo e tu me vês.
enquanto a noite segue o seu rumo...
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
o luto de fevereiro

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
um destino qualquer
terça-feira, 27 de janeiro de 2009

apareceu tão leve como a sua lembrança.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
sei de um lugar

as únicas cordas que te amarravam a alma eram as da guitarra.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
nem tudo são cerejas...
o meu avô sempre disse para se ter cuidado a partir a melancia... não se pode partir-lhe o "coração". tem que ficar inteiro. é a parte mais docinha...
e no fim olhava para nós com um leve sorriso que lhe subia o bigode... (era frase para esconder um segredo qualquer.shiuu).
nunca em nenhuma outra boca ouvi falar desta verdade, assim.
a parte engraçada era a de ver, no nosso pueril desejo, o meu avô falhar no corte e ver o coração despedaçar-se. mas não! engane-se quem duvida da perícia de um avô vivido. o meu é um verdadeiro escultor de melancias.
O coração... esse, ficava ali intacto à espera, absorvendo a doçura da nossa inocência...
bem sabia... fiquei sempre com a intuição a latejar em tom duvidoso, quando dizia que a cereja era a minha fruta preferida.
quando for grande, na hora H, que seja por alguém tão sábio quanto o meu avô, e que no fim ainda remata com um : é doce como mel...
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
reencontro
mentira!
nunca me esqueci da inexpressão do teu rosto. Queria eu saber de ti e tinha que olhar-te nos olhos. Era lá que morava a luz do teu sorriso. a escuridão também, vizinha do teu dó maior.
"Estou diferente!?" não estou não, juro.
imagino-te a sentires como eu... refugiado em terras de sonho onde tudo é possível, tudo perfeito no caos das palavras e gestos soltos.
quero dizer-te que estás igual, e que de todos os lugares, o melhor para encontrar-te foi aquele onde estavas...
esqueci-me de te perguntar: em que prateleira estão os sopros e os arco-íris?
gostei de te ver. verdade!
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
sou tua

...
"Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer"
Mia Couto
quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
o mito do quarto minguante
O amor… queria tê-lo preso ao meu corpo, que não andasse solto, descalço e sem botões no casaco.
Por isto, por tudo, deixa-me chorar. deixa que este calor me atravesse e separe todas as partículas do meu sentir. Que me construa um lugar novo para sonhos e eufemismos onde te veja a sorrir mesmo que a dor seja a única que vislumbres. deixa-me acordar livre ou deixa-me livre para acordar.
com a certeza de que o sol está para lá do poente a iluminar também, outros olhares.
Please let me be
No more no less
Than a beautiful mess
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
onde sempre estamos
here is the deepest secret nobody knows
here is the root of the root and the bud of the bud and the sky of the sky of a tree called life, which grows higher than soul can hope or mind can hide.
and this is the wonder that's keeping the stars apart
i carry your heart(i carry it in my heart)
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
quando quero chorar...
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Dentro

eu escrevo. eu passei por aqui, ela passou por aqui,
tu passas agora por aqui.
entendes isso? ela está onde tu estarás. eu estou onde
ela estará. eu corro pelas palavras, ela persegue-me.
tu corres atrás de nós para nos veres correr.
eu escrevo casa e continuo pelas palavras. ela segura
as letras da casa e escreve vida. tu lês vida e entendes casa
e vida. eu não sei o que entendes.
eu corro. ela corre atrás de mim. tu corres atrás dela.
não existimos sozinhos. sorrimos quando paramos,
quando nos encontramos. aqui.
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
de profundis

Sento-me e descanso. Contemplo a tua forma nas ondas que varrem os meus desenhos na areia. Deito-me e escuto-te… vais e vens… Vens. Trazes contigo pedras preciosas, verdes e transparentes, pedaços de vidros que o teu corpo com o tempo moldou. Mas eu gosto. Guardo-os como pequenos tesouros.
volta, um dia.
Sempre só neste banco de jardim, como eu no ramo desta àrvore. Conheço a dor que vestem os teus olhos e o cansaço que escondes nos ombros. A tua face nua, (des)espera pelo mesmo sorriso que teima em nunca mais voltar. Prisioneiro da elegância do seu toque, quando colheu uma pétala, da flor deste jardim.
Cravaste o nome dela neste ramo para te lembrares que um dia as suas mãos ensinaram-te a dançar. Agora já sabes dançar e se ela volta ou não… não sei. Sei que passou por aqui, um dia.
Vou em silêncio confessar-te: as bailarinas são como os pássaros…
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Métrica sem regras
*Porque há imagens que, viradas do avesso contam exactamente a mesma estória

*A forma das palavras mudas, num fechar de olhos:
... não quero o presente, quero a realidade;
Quero as coisas que existem, não o tempo que as mede
...
Eu devia vê-las, apenas vê-las;
Vê-las até não poder pensar nelas,
Vê-las sem tempo, nem espaço,
Ver podendo dispensar tudo menos o que se vê.
É esta a ciência de ver, que não é nenhuma.
Alberto Caeiro
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
mote

One morning I woke up and I knew that you were gone. A new day, a new way, I knew I should see it along. Go your way, I'll go mine and carry on. The sky is clearing and the night has gone out. The sun, he come, the world is all full of light.
Rejoice, rejoice, we have no choice but to carry on. The fortunes of fables are able to sing the song.
Now witness the quickness with which we get along.To sing the blues you've got to live the tunes and carry on.
Carry on, love is coming, love is coming to us all.
Where are you going now my love? Where will you be tomorrow? Will you bring me happiness? Will you bring me sorrow?
Oh, the questions of a thousand dreams, what you do and what you see, Lover, can you talk to me? When I was on my own, chasing you down, What was it made you run, trying your best just to get around? The questions of a thousand dreams, what you do and what you see, Lover, can you talk to me?




